Revisitando a criação da Geopolítica Sulamericana
Sinopsis
evolução das publicações científicas em Geografia Política e Geopolítica tem sido caracterizada nas últimas cinco décadas pela eventual projeção de alguns poucos discursos normatizadores sobre conceitos e especificidades próprias a cada campo de pesquisa com alta reverberação, na contramão da realidade empírica, que tem sido estruturada por um majoritário volume de publicações dentro e fora do pensamento geográfico no qual a geografia política e a geopolítica claramente se comunicam. A contemporânea difusão da Geopolítica nos discursos científicos não necessariamente repercute no aumento do rigor teórico e metodológico em sua diferenciação em relação aos estudos de Geografia Política (GOMES; SENHORAS, 2020), mas trouxe consigo a construção de um perfil eclético de produções científicas na qual há o uso ambíguo de conceitos e teoria de ambas as áreas sob a roupagem de uma linguagem que simplifica tudo em geopolítica. A despeito de existir diferenciadas abordagens e marcos teórico-metodológicos sobrepostos na tradicional abordagem da Geografia Política em seu foco sobre as relações de modernas escalas espaciais, predominantemente intranacionais, vis-à-vis à clássica Geopolítica, pautando-se em planejamentos e estratégias no espaço, com destaque ao internacional (MARTIN, 1959), o pensamento científico e não científico evoluiu de modo a difundir a geopolítica como um jargão popular para analisar um mundo multirecortado pela complexidade em suas diferentes espacializações e periodizações. Partindo de um resgate do pensamento geopolítico clássico, balizado por uma proposição teórico-metodológica para os Estados Nacionais, a presente resenha tem por finalidade revisitar os estudos de geopolítica a partir de uma arqueologia no conhecimento sobre o pensamento geopolítico sulamericano, o qual tem sido muito pouco explorado diante das riquezas científicas construídas ao longo do tempo. O objeto desta resenha é o livro “Construtores da Geopolítica Sulamericana”, composto por quatros capítulos, incluídas seções de introdução e considerações finais, o qual foi escrito pelo pesquisador brasileiro, Marcos Antônio Fávaro Martins, geógrafo, mestre e doutor em Integração da América Latina.
